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Peppol BIS Billing 3.0: como funciona, na prática, a faturação transfronteiriça na UE

O modelo de 4 cantos em português simples: quem assina o quê, onde acontece a validação e porque o seu Access Point é a decisão de integração mais importante.

Invocie Team · 19 de fevereiro de 2026 · 5 min de leitura


Peppol — Pan-European Public Procurement Online — começou em 2008 como standard de procurement B2G. Hoje é a rede dominante de faturação B2B transfronteiriça na Europa, e BIS Billing 3.0 é o seu perfil de fatura atual, construído sobre UBL 2.1 e conforme à Norma Europeia obrigatória EN 16931.

O modelo de 4 cantos

  1. Canto 1 — o sistema contabilístico do vendedor cria a fatura e entrega-a ao seu Access Point.
  2. Canto 2 — o Access Point do vendedor valida a fatura, assina-a e encaminha-a pela rede Peppol.
  3. Canto 3 — o Access Point do comprador recebe, verifica e encaminha a fatura.
  4. Canto 4 — o sistema contabilístico do comprador importa a fatura e responde com uma Message Level Response.

A beleza arquitetural é que os cantos 1 e 4 — as partes — nunca precisam de conhecer os sistemas de IT um do outro. Cada lado só precisa de uma relação com o seu próprio AP.

O que está num documento BIS Billing 3.0

Uma fatura conforme a EN 16931 é um ficheiro XML UBL 2.1 com um subconjunto estrito de elementos permitidos. Os campos obrigatórios incluem o Customization ID (urn:cen.eu:en16931:2017), o Profile ID (urn:fdc:peppol.eu:2017:poacc:billing:3.0), Document Currency, partes fornecedor e cliente com o esquema de IVA, linhas de fatura com discriminação allowance/charge, e subtotais fiscais por taxa.

As armadilhas escondidas

  • Os Endpoint IDs têm de usar o scheme correto. Usa 0088 para GLN, 0184 para CVR dinamarquês, 0192 para números de organização noruegueses, 9930 para IVA alemão — escolher o scheme errado significa encaminhamento invisível da fatura.
  • A precisão decimal é aplicada com rigor. UBL permite até 4 casas decimais em montantes mas EN 16931 limita a 2 em muitos campos; os APs rejeitam faturas com totais demasiado precisos.
  • Os fusos horários são assassinos silenciosos. As datas de emissão são apenas datas (sem componente horária). Usa a data local do calendário do vendedor, não UTC.

Se estás a escolher um Access Point, três coisas importam: autorização regulatória no teu país, SLAs de throughput (a rede é assíncrona, mas APs lentos viram pontos quentes no fim do trimestre), e a qualidade da validação ao nível schematron. APs baratos saltam isto último e devolvem o custo na forma de faturas rejeitadas.


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